Vício em apostas: onde buscar ajuda gratuita no SUS e no CVV

Pessoa em atendimento de saúde por videochamada no notebook

A proibição das apostas de quota fixa pela Medida Provisória 1.394, editada em 25 de setembro de 2026, tirou do ar as bets que tinham autorização federal. Mas o fim das plataformas legais não resolve, sozinho, a situação de quem perdeu o controle sobre as apostas: sites ilegais continuam tentando atrair jogadores, e muita gente ainda lida com dívidas, ansiedade e conflitos em casa. Este guia reúne os canais públicos de ajuda que existem hoje no Brasil, como acessá-los e o que mudou com a proibição.

Sinais de que a aposta virou um problema

O Ministério da Saúde lista alguns sinais de alerta que ajudam a perceber quando o hábito deixou de ser lazer. Nenhum deles, isolado, é um diagnóstico, mas vale prestar atenção se eles se repetem:

  • mudanças no sono, na alimentação ou no humor;
  • ansiedade e irritação quando não está jogando;
  • dificuldade para parar, mesmo depois de decidir que vai parar;
  • culpa ou vergonha depois de apostar;
  • esconder ou mentir sobre as apostas para familiares e amigos;
  • prejuízo no orçamento ou nas relações pessoais;
  • usar o jogo como forma de lidar com o estresse.

Se você se reconhece em vários desses pontos, ou percebe isso em alguém próximo, buscar ajuda cedo costuma evitar que dívidas e problemas de saúde se acumulem. Nossa página sobre jogo responsável e sinais de risco traz mais orientações.

Teleatendimento do SUS pelo app Meu SUS Digital

Desde março de 2026, o SUS oferece atendimento psicológico a distância para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas. O serviço começou com 600 atendimentos por mês, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, e em 4 de agosto foi ampliado para até 100 mil teleatendimentos mensais, agora com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), segundo o Ministério da Saúde. O passo a passo divulgado pelo governo é este:

  • entrar no aplicativo Meu SUS Digital com a conta gov.br;
  • tocar em “Miniapps” e escolher “Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Quem Aposta”;
  • fazer o autoteste, que não é um diagnóstico, apenas uma orientação inicial;
  • na plataforma da AgSUS, aceitar o termo de uso, responder ao formulário e indicar se o atendimento é para você ou para um familiar;
  • guardar o número de protocolo e aguardar o agendamento, que chega com o link da videochamada.

As consultas são feitas por videochamada, duram cerca de 50 minutos e, de preferência, acontecem uma vez por semana, com psicólogos, enfermeiros e outros profissionais capacitados. O profissional pode indicar um ciclo inicial de até dez sessões, seguido de reavaliação, que pode levar à alta, a um novo ciclo ou ao encaminhamento para atendimento presencial. Familiares também podem pedir apoio. Como o anúncio é de agosto, anterior à proibição, confira no próprio aplicativo se o serviço segue com as mesmas condições.

Atendimento presencial: UBS, CAPS e telefones úteis

Quem prefere atendimento presencial pode procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, que faz o acolhimento e a avaliação inicial. Quando necessário, a pessoa é encaminhada a um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), serviço da rede de saúde mental do SUS; o ministério informa que há mais de 3 mil CAPS em funcionamento no país. Alguns contatos ajudam nessa busca:

  • Meu SUS Digital – rede de saúde: o site meususdigital.saude.gov.br tem uma ferramenta para encontrar o serviço de saúde mais próximo;
  • 136: Ouvidoria-Geral do SUS, para informações e orientação sobre a rede pública;
  • 188: o CVV oferece apoio emocional por telefone, 24 horas, sem custo;
  • 192: o SAMU deve ser acionado em situação de emergência ou risco imediato.

E a autoexclusão, ainda funciona?

Em dezembro de 2025, o governo lançou a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, em gov.br/autoexclusaoapostas. Com login gov.br nível prata ou ouro, a pessoa bloqueava o próprio CPF em todas as bets autorizadas de uma só vez, por prazo determinado ou indeterminado. Hoje, a página oficial informa que a plataforma está indisponível por causa da MP 1.394, já que não existem mais operadoras autorizadas para receber o bloqueio.

Na prática, a ameaça agora vem dos sites ilegais, que nunca foram obrigados a respeitar a autoexclusão. Algumas medidas ajudam a criar barreiras:

  • usar o controle parental ou o bloqueio de sites do celular e do navegador para domínios de apostas;
  • reduzir o limite de Pix no aplicativo do banco, principalmente no período noturno;
  • pedir a alguém de confiança que acompanhe as finanças por um tempo;
  • desconfiar de mensagens e anúncios que oferecem “bônus” ou “saque garantido”, um padrão comum em golpes, como mostramos no guia sobre falsas bets e o golpe do Pix.

Para identificar se um endereço é clandestino, veja também como verificar se uma bet era legal e o texto sobre os riscos das bets ilegais após a proibição.

Dívidas e saldo pendente: onde resolver

O lado financeiro costuma pesar tanto quanto o emocional. Se ainda há saldo a receber de uma empresa que saiu do ar, as regras de devolução estão explicadas em saque e pagamento. Para cobrar uma empresa ou registrar problema, o caminho passa pelo Procon e pelo consumidor.gov.br, como detalhamos no guia como reclamar de uma bet. Já dívidas com bancos e cartões podem ser renegociadas diretamente com a instituição, de preferência com um orçamento que caiba no mês.

O mais importante é não tentar resolver tudo sozinho: atendimento de saúde, conversa com a família e contas organizadas funcionam melhor juntos. Mais guias estão no blog.

Fontes consultadas: Agência Gov / Ministério da Saúde (04/08/2026); BNLData; gov.br – Autoexclusão (SPA/MF); Convergência Digital (11/12/2025); CVV.

+18. Este conteúdo é informativo e não promete ganho. Apostar envolve risco e pode causar dependência. Precisa conversar? O CVV atende 24h pelo 188.

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