Texto de 11 de outubro de 2026.
A devolução dos saldos que ficaram nas casas de apostas entrou na reta final. No sábado (10), o governo federal divulgou um novo balanço: segundo os dados enviados pelas próprias empresas, ainda há R$ 159 milhões a devolver aos apostadores. Ao mesmo tempo, a Advocacia-Geral da União (AGU) informou que vai acionar na Justiça oito empresas que não enviaram aos bancos as informações necessárias para o pagamento. O prazo para os bancos concluírem os créditos termina na quarta-feira, 14 de outubro. Abaixo, o que mudou em relação ao calendário que explicamos em como fica a devolução do saldo após os sites saírem do ar e o que fazer se o dinheiro não aparecer.
O que diz o novo balanço de 10 de outubro
Os números foram divulgados pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência e repercutidos por BNLData, A Tarde e ACidadeON. Eles revisam para baixo o valor informado logo após o fim do prazo de saque voluntário, em 5 de outubro, que girava em torno de R$ 1,2 bilhão.
- R$ 159 milhões em saldos ainda pendentes de devolução, de acordo com as plataformas.
- 22,5 milhões de apostadores com algum saldo remanescente, espalhados por 70,5 milhões de contas.
- 90% dessas contas têm menos de R$ 1 a receber e 97% têm menos de R$ 10.
Na prática, a maioria das pessoas vai receber centavos ou poucos reais. Isso não muda o direito ao crédito, mas ajuda a calibrar a expectativa: um lançamento pequeno no extrato pode ser justamente a devolução.
Por que a AGU vai à Justiça contra oito empresas
Pela Portaria SPA nº 3.005/2026, as operadoras tinham até 7 de outubro para informar aos bancos o saldo de cada apostador, discriminado por CPF, e a conta bancária usada nos depósitos. Sem esses dados, o banco não tem como fazer a transferência. Segundo o governo, oito empresas não cumpriram a obrigação, e a AGU pedirá à Justiça que elas sejam obrigadas a entregar as informações. Os nomes das empresas não foram divulgados até o fechamento deste texto.
Para o apostador, o efeito é direto: quem tinha saldo em uma dessas oito plataformas pode não receber dentro do prazo de 14 de outubro, porque a devolução depende de uma etapa que ainda não aconteceu. Nesse caso, o caminho previsto é o repasse à Caixa Econômica Federal.
Prazos que valem agora
- Até 14 de outubro: os bancos creditam os valores na conta usada para depositar na plataforma. Segundo o BNLData, se essa conta tiver sido encerrada, o crédito pode ir para outra conta do mesmo titular.
- A partir de 14 de outubro: valores que não puderam ser pagos por impedimento operacional são transferidos à Caixa, que fica responsável pela devolução.
- Até 15 de dezembro de 2026: prazo final para as empresas regularizarem obrigações financeiras e regulatórias antes do encerramento definitivo, conforme a mesma portaria.
O governo ainda não publicou um passo a passo de como o apostador vai resgatar o dinheiro na Caixa: se será crédito automático, se exigirá algum pedido ou se passará por um canal específico. Até sair essa orientação, qualquer site ou mensagem que ofereça “resgate na Caixa” deve ser tratado como suspeito.
O que fazer até quarta e depois dela
- Confira o extrato da conta que você usou para depositar, incluindo lançamentos de poucos centavos. O crédito pode vir em nome da casa de apostas ou do banco que processava os pagamentos dela.
- Guarde prints do saldo que estava na plataforma em 5 de outubro e de pedidos de saque que não foram concluídos. Isso serve como prova em uma eventual reclamação.
- Se nada chegar até 14 de outubro, confirme primeiro com o seu banco, pelos canais oficiais, se há algum crédito previsto ou devolvido.
- Depois disso, acompanhe as orientações do Ministério da Fazenda e da Caixa sobre a etapa seguinte. Nosso guia sobre como reclamar de uma bet lista os canais que seguem válidos, como Procon e consumidor.gov.br.
Também é bom reler as regras gerais de saque e pagamento para entender por que o dinheiro deve voltar para a mesma origem do depósito: essa é a trilha que permite ao banco identificar o titular pelo CPF.
Cuidado redobrado com golpes de devolução
A devolução não exige link, cadastro em site, pagamento de taxa, “desbloqueio” de valor nem contato por WhatsApp. O próprio governo recomenda confirmar qualquer informação diretamente com o banco e usar apenas canais oficiais. Já detalhamos os formatos mais comuns em golpes com falsas bets e saque bloqueado.
Em resumo: até 14 de outubro, o trabalho é do banco e da empresa, não seu. Se o valor não aparecer, documente, confirme com o banco e espere a regra oficial da Caixa. Para o contexto completo da proibição, veja o que se sabe sobre a MP das bets.
Fontes consultadas: BNLData (balanço de R$ 159 milhões e AGU), BNLData (AGU aciona 8 empresas), A Tarde, ACidadeON, Agência Gov (Portaria SPA nº 3.005/2026), Agência Brasil.
+18. Este conteúdo é informativo e não promete ganho. Apostar envolve risco e pode causar dependência. Se precisar de ajuda, ligue para o CVV (188).



